Curta (musical): - ‘Halford III – Winter Songs’ é o novo disco solo do vocalista Rob Halford (Judas Priest), terceiro da banda Halford. O single ‘Get Into Spirit’ trazia as duas primeiras faixas do tracklist, ‘Get Into Spirit’ e ‘We Three Kings’ apresentando a banda de Rob a apostar numa sonoridade melodiosa dotada de belos arranjos (alguns pianos e teclados) mas ainda calcada no metal tradicional. A surpresa fica por conta da descoberta de que o conteúdo do álbum trás tradicionais composições natalinas executadas com arranjos heavy metal. O resultado final acaba sendo bonito e inusitado. Temos a impressão de que Halford não quis se desfazer da grandiosidade dos arranjos do conceitual ‘Nostradamus’, último trabalho do Judas Priest lançado em 2008. Um trabalho inspirado e que vale a pena conferir! - E aqui vai um review sobre um dos melhores álbuns de 2009 concebido por uma das maiores bandas da atualidade! Top 10 series – Best of 2009 Dream Theater ‘Black Clouds and Silver Linings’ Warner/Roadrunner 2009 No fim do primeiro semestre o Dream Theater lançou o décimo álbum de sua carreira, segundo pela gravadora Roadrunner. Alguns ‘fãs fanáticos’ alardearam por aí que o antecessor ‘Systematic Chaos’ não era lá muito bom. ‘Systematic Chaos’ foi comentado aqui neste blog há algum tempo e óbviamente não se trata de um trabalho ruim. Na ocasião eu escrevi que era compreensível que a banda não apresentasse bruscas transformações exatamente porque estava debutando numa nova gravadora. ‘Systematic Chaos’ foi sim um trabalho previsível. 
O Dream Theater é hoje um dos grandes do metal contemporâneo, no Brasil arrastando uma legião de fãs e tocando aqui para platéias de dez mil pessoas. O estilo progressive metal praticado pela banda é algo que foge de qualquer padrão comercial vigente, longas canções, longos solos e longas partes instrumentais. No entanto ‘Black Clouds and Silver Linings’ comercialmente saiu-se muito bem adentrando as paradas européias tão logo foi lançado. De fato a banda possuí uma boa base de fãs que em tempos de crise pelos quais passam as gravadoras pode representar vendagens expressivas. E musicalmente ‘Black Clouds and Silver Linings’ é superior a ‘Systematic Chaos’. O tracklist abre com direito a samples de chuvas e trovoadas. A faixa de abertura é ‘A Nightmare To Remember’ empolgante e nenhum pouco cansativa dentro dos seus (absurdos) 16 minutos e 10 segundos de duração. O início da canção um tanto quanto sombrio trás a mente algo do velho Black Sabbath. É uma composição com partes velozes e todos os elementos do Dream Theater estão lá. A voz poderosa de James La Brie, a seção ritmica devastadora de John Miyung (baixo) e Mike Portnoy (batera, fazendo alguns vocais em alguns momentos). Além dos virtuosos Jordan Rudess (teclado) e John Petrucci (guitarra), este que além de virtuoso é um exímio riff master. Alguns momentos instrumentais de ‘A Nightmare To Remember’ lembram muito as partes instrumentais do inesquecível e hoje clássico ‘Metropolis II’ (1999). O tema da letra da canção também é semelhante com o enredo de ‘Metropolis II’. Trata-se de um faixa fantástica e há muito o Dream Theater não abria um tracklist com uma canção tão impactante. No fim da canção, Mike Portnoy até arrisca um blast beat no momento em que a composição acelera. O clima sombrio e pesado mostra que o Dream Theater não deve em nada para nenhuma banda de black metal sinfônico da atualidade. Na sequência ‘A Rite of Passage’ é uma das mais curtas (!!!) do tracklist (pouco mais de oito minutos). Trata-se de uma das melhores canções deste álbum, um clima monumental e bombástico denunciando que a cover de ‘Stargazer’ (do Rainbow) gravada durante as sessões de estúdio deste álbum é influência mais do que sintomática. ‘A Rite of Passage’ trás um clima grandioso cortesia dos teclados de Jordan Rudess em comunhão com as melodias da guitarra de John Petrucci. O refrão é marcante e bem definido. A composição se desenvolve para um andamento mais reto, onde impera a velocidade no momento do solo em que Petrucci mostra porque é um dos melhores guitarristas da atualidade. O resultado final de ‘A Rite of Passage’ aponta para uma entonação mais épica e que sôa muito bem. A terceira faixa é a bela (e inspirada) balada ‘Wither’ onde quem chama todas as atenções é o vocalista James La Brie com sua interpretação elegânte. Cercado por belos arranjos e La Brie conta pontos por fugir da dramaticidade desmedida. Não é exagero colocá-lo enquanto melhor vocal do metal atual. O solo de Petrucci também merece destaque, curto e impactante numa linha que até lembra Brian May (Queen). ‘The Shattered Fortess’ é mais uma longa canção em que o baterista Mike Portnoy expressa nas letras sua experiência pessoal em tentar se livrar do alcoolismo. Temos um solo de teclado fabuloso de Jordan Rudess numa composição que segue a linha de ‘The Glass Prision’ (‘de Six Degrees of Inner Turbulence’) cuja letra versava sobre o mesmo tema. Aliás um trecho da própria ‘The Glass Prision’ surge no desfêcho de ‘The Shattered Fortess’ como música incidental. A ousada ‘The Best of Times’ inaugura algo novo no estilo de compor do Dream Theater. Não é uma balada, mas trata-se de uma composição grandiosa e melodiosa onde todos os elementos caracteristicos da banda comparecem. A letra é uma homenagem do baterista Mike Portnoy ao pai falecido em 2008. Ao findar, o guitarrista John Petrucci beira o sublime chamando todas as atenções para si. Lembrando que John Petrucci também homenageou seu pai falecido na canção ‘Take Away My Pain’ (de ‘Falling Into Infinity’). O fim do álbum vem com ‘The Count of Tuscany’ bastante longa (quase vinte minutos) onde mais uma vez o destaque fica por conta da interpretação do vocalista James La Brie.
O cuidado instrumental apresentado pelo Dream Theater é algo fora do usual nos dias de hoje. São músicos que sabem o que fazem com seus instrumentos, alguns colocados enquanto os melhores em seus respectivos instrumentos atualmente. O estilo de composição neste ‘Black Clouds and Silver Linings’ apresenta nunances bebidas de fontes das bandas clássicas dos anos 70, sobretudo na já citada menção ao Rainbow. Talvez ainda seja cedo para afirmar. Se ‘Black Clouds and Silver Linings’ não é classico como ‘Images & Words’ ou ‘Metropolis II’, ao menos chega ao patamar de grandes momentos da banda como ‘Awake’, ‘Six Degrees of Inner Turbulence’ ou ‘Octavarium’. Lá fora ‘Black Clouds and Silver Linings’ saiu em edição especial com cd’s bonus onde num dos cd’s temos a citada cover de ‘Stargazer’ do Rainbow bem como a versão que o Dream Theater fez para ‘To Time A Land’ do Iron Maiden, incluso no tributo ao Maiden da revista inglêsa Kerrang! Constam também covers de Queen e King Crimson. O outro cd bonus trás as canções do tracklist de ‘Black Clouds and Siver Linings’ em versão instrumental sem os vocais. Acima da média?? É sim!
Escrito por Kazuo Su-X às 15h37
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