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Evil F.C.


1 reflexão (de 19/11/2009 em Londrina/PR):

 

Era uma tarde quente como a de hoje, mas há quatro anos atrás era uma tarde chuvosa de verão. Saímos pelo centro, para fazer não sei o que. Subimos num prédio comercial e você parou diante da janela. Acho que iriamos encontrar sua amiga no dentista ou coisa assim. Descobri sem querer que era também o prédio onde ficava o escritório do Marcão. Fiquei te olhando, o jeans batido e as partes do seu corpo que a blusinha deixava aparecer. Volte e meia você reclama de sua silhueta, eu nunca me incomodei. Não lembro o que eu te dizia mas olhando para a sua cintura percebi o Snoopy branco estampado na sua bolsa vermelha dependurada em seu pescoço. Andamos pelo calçadão da pequena Londres e algumas gotas caíam, garoa de verão em pleno janeiro. Lembro que também paramos num sebo. Me arrependo até hoje de não ter comprado um LP do Killing Joke por três reais. Encontrei uma revista Showbizz com a cara do Bono estampada na capa. Falava sobre o lançamento do filme ‘Hotel de um Milhão de Dolares’ e como parte da matéria havia a letra de ‘The Ground Beneath Her Feet’. Ali aquela música começou a ter significado em minha vida. Você se zangou docemente com a minha sorte e eu sempre consigo o impossível pois achei outra revista igual para você comprar. Minha memória não é tão boa, não sei se antes desta tarde ou depois tinhamos ido ao shopping. Você comprou ‘How Dismantle an Atomic Bomb’ que o U2 havia acabado de lançar. De todos os discos do U2 é o álbum que mais te representa para mim. Você estava mais arrumada, com um jeans mais justo e uma blusa regata. Alguma memória perdida entre uma das alças e sua tatoo, é claro. Vimos ‘Onze Homens e Um Segredo’ no cinema. Morri de vontade de pegar na sua mão. Lembro que quando abri a lata de refrigerante derramei e me sequei com um lenço. ‘Nunca confie num homem com um lenço’, você disse e eu juro que até hoje não entendi. ‘Seguir o chão que você pisa’ é um dos itens na minha lista de coisas que tenho que fazer na vida. Outro ítem é entender ‘por que não se pode confiar num homem com um lenço’. A tarde quente de hoje foi ensolarada. Em nada se assemelhava com aquela tarde de garoa. Não andei pelo calçadão e nem o escritório do Marcão está mais naquele prédio. Eu olhava pela janela do ônibus as pessoas pela calçada, nos meus ouvidos o som de ‘Magnificent’ do U2. Havia um vazio, sem linhas no horizonte literalmente. Canção que espera significado. ‘Lyrics’ que procuram uma imagem para se personificar...



Escrito por Kazuo Su-X às 16h10
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Playlist:

 

- U2 ‘How Dismantle an Atomic Bomb’: ouvindo ‘Miracle Drug’ e ‘Sometimes You Can’t Make it on Your Own’; Megadeth ‘Endgame’: sigo ouvindo um grande álbum lançado em 2009, destaques para ‘Bite The Hand’ e ‘This Day We Fight’!

 

Curtas (sobre a bibliotecária que é uma estrela):

 

- Eu disse num sms ‘vou sonhar com a estrela da sua tatoo’. Ela respondeu noutro sms ‘vc está confundindo as coisas’.

 

- Numa noite quente olhei pro céu estrelado e lembrei da estrela dela, como Dante contemplando os céus assim que saiu do Inferno.

 

- Contei o ‘causo’ para Adriana Flor e ela disse: ‘passe adiante, ela não te merece!’.

 

- ‘Ela não teve uma prof de literatura como vc’ – respondi a Adriana Flor.

 

- “Olha o Sushi arrasando corações...” (Adriana Flor)

 

- Já não fazem mais Beatrizes como antigamente...

 

Curtas (sérias)

 

- O curioso filme do Eric Cantona (atacante francês já aposentado e ex-Manchester United) ‘Looking For Eric’ está sendo lançado no Brasil. O Trivela resenhou mas não sou eu o autor da resenha desta vez! Clique aqui!

 

- Finalmente anunciou-se que o Metallica virá ao Brasil agora em janeiro. Serão dois shows um em São Paulo (30 de janeiro) e outro em Porto Alegre (28 de janeiro). Falências serão decretadas, e a última vinda da banda de Lars Ulrich aconteceu há 10 anos em 1999 durante a tour do ‘Garage Inc’.



Escrito por Kazuo Su-X às 16h09
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1 álbum duplo de covers!

 

Metallica

‘Garage Inc.’

Elektra/Warner

1998

 

O Metallica retornou a velha forma em 2008 com ‘Death Magnetic’ onde resgatou os velhos riffs e a pegada thrash metal. A banda também apresentou um cover para ‘Remember Tomorrow’ do Iron Maiden que integrou o tributo ao Maiden encartado pela revista inglêsa Kerrang! também no ano passado. Diga-se de passagem trata-se de um bom tributo onde outros superstars do metal também se fazem presentes como Dream Theater e Machine Head.

 

No entanto a tradição de resgatar covers obscuros é algo que o Metallica cultiva desde o início da carreira. ‘Garage Inc.’ completou dez anos em 2008 e este ano se fazem completos os dez anos da última visita do Metallica ao Brasil exatamente na tour que divulgou este trabalho. ‘Garage Inc’. foi um lançamento em álbum duplo num momento em que a banda vivia seu ápice de exposição na mídia. O disco 1 trazia covers gravados exclusivamente para este lançamento ao passo que o disco 2 compilava todas as covers gravadas anteriormente pela banda até então. Em linhas gerais tem-se um caldeirão musical de influências que norteiam a carreira da banda desde sempre.

 

 

O disco 1 apresenta uma caracteristica inusitada da banda reinterpretando composições de outros artistas e sobretudo chama a atenção uma caracteristica de crooner personificada por James Hetfield até então nunca revelada. Sua performance vocal em regravações improváveis de Bob Seger e Nick Cave foram muito criticadas no Brasil mas demonstravam uma maturidade vocal ímpar atingida por Hetfield. Este primeiro disco abre com ‘Free Speech For The Dumb’ da cultuada banda punk Discharge. Até então nada de surpreendente pois na sequência surge ‘It’s Eletric’ do velho Diamond Head que já havia tido canções coverizadas pelo Metallica nos idos dos anos 80. ‘Sabbracadabra Jam’ apresenta uma homenagem ao eterno Black Sabbath onde ‘Sabbra Cadabra’ é executada tendo ‘A National Acrobat’ como música incidental. Ambas as canções fazem parte do clássico ‘Sabbath Bloody Sabbath’. Na versão do Metallica chamam a atenção a sincronia das guitarras de James Hetfield e Kirk Hammett intensificando o poder de fogo dos arranjos originais do grande Tony Iommi.

 

O baladão ‘Turn The Page’ foi uma das faixas de trabalho e teve um vídeo polêmico produzido por Jones Akerlund. A canção é de Bob Seger popular cantor e compositor norte americano. Trata-se de uma balada arrastada em que se destacam os slide guitars utilizados por Kirk Hammett. James Hetfield executa o solo. O peso retorna com ‘Die Die My Darling’ dos punks do The Misfits influência assumida do Metallica desde o início da carreira. A longa e atmosferica ‘Loverman’ do obscuro cantor Nick Cave surge na sequência onde James Hetfield dá um show de interpretação vocal. Ainda tem-se ‘Mercyful Fate Medley’ onde o Metallica apresenta quase quinze minutos de canções do velho Mercyful Fate (‘Evil’, ‘Curse of The Pharaoh’, ‘Into The Coven’ inclusas).

 

A parte final trás uma belíssima (e esquecida) versão para ‘Astronomy’ do Blue Oyster Cult onde imperam as melodias em twin guitars. O Blue Oyster Cult era uma das bandas favoritas do falecido baixista Cliff Burton. As guitarras dobradas persistem em ‘Whiskey in The Jar’ do Thin Lizzy, a segunda faixa de trabalho do álbum. Convém lembrar que ‘Whiskey in The Jar’ é uma famosa canção folclórica irlandesa de onde vinha o Lizzy. Finalizando o tracklist ‘Tuesday Gone’ do Lynyrd Skynyrd ganha uma versão oficial pois foi originalmente apresentada num programa de rádio em que o Metallica fez um especial acustico. O restante do repertório daquela ocasião se espalhou pela internet e em bootlegs. ‘Tuesday Gone’ trás os convidados especiais Les Claypool (baixo/Primus), Jerry Cantrell (guitarra/Alice in Chains) e Peeper Keenan (guitarra/C.O.C.). O disco 1 se encerra com ‘The More I See’ também do Discharge.

 

O disco 2 configura um amplo leque de covers resgatados pelo Metallica durante todos os anos 80. Encabeça o tracklist o conteúdo do EP ‘5,98 Garage Days Revisited’. Este EP é um raro ítem do Metallica (hoje fora de catálogo) lançado em 1987 com o intento de apresentar o então novo baixista Jason Newsted. Temos neste primeiro momento ‘Helpless’ do Diamond Head, ‘The Wait’ do Killing Joke e ‘Last Caress/Green Hell’ do The Misfits. Na sequência tem-se ‘Am I Evil’ também do Diamond Head e ‘Blitzkrieg’ do Blitzkrieg originalmente lançadas como lados B do single ‘Creeping Death’ (canção que integrava o álbum ‘Ride The Lighting’ de 1984). As linhas de baixo são do falecido Cliff Burton. Nota-se a forte influência de bandas obscuras da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) como Diamond Head e Blitzkrieg que acabaram esquecidas ao passo que seus contemporâneos Iron Maiden, Motorhead e Saxon tornaram-se enormes.

 

Na segunda metade do disco 2, temos os lados B que estiveram presentes em singles ou bonus tracks nos lançamentos posteriores a “And Justice For All” (1988): ‘Breadfan’ do Budgie, ‘The Prince’ do Diamond Head (bonus da edição japonesa de ‘And Justice For All’), ‘Stone Cold Crazy’ do Queen (que venceu Grammy e foi apresentada no Tributo a Freddy Mercury), ‘So What’ do Anti Nowhere League (bonus da edição japonesa do black album de 1991) e ‘Killing Time’ do Sweet Savage (outra cultuada banda da NWOBHM, faixa lado B do single ‘The Unforgiven’). O fim vem em grande estilo com quatro canções do Motörhead lançadas como lado B do single ‘Hero of The Day’ (1996): ‘Overkill’, ‘Damage Case’, ‘Stone Dead Forever’ e ‘Too Late Too Late’.

 

 

 

Pode-se dizer que essa cultura de resgatar o trabalho de bandas de metal injustiçadas foi levada adiante pelo Metallica de maneria digamos ‘pioneira’. Ainda assim outras bandas mais antigas regravaram covers que se tornaram importantes na história do estilo. O Judas Priest nunca gravou um disco de covers mas transformou de maneira muito peculiar ‘Green Manalishi’ do Fletwood Mac e a lendária ‘Diamonds and Rust’ de Joan Baez.

 

Os lados B dos singles lançados pelo Iron Maiden resgataram muitas bandas esquecidas dos anos 70 como Nektar ou Montrose. Talvez o single mais famoso do Maiden seja o ‘Aces High’ – maxi single que trazia ‘Cross Eyed Mary’ do Jethro Tull. Pouca gente prestou atenção à fase do Maiden com Blaze Bayley nos vocais. Neste período a banda regravou ‘Doctor Doctor’ do UFO e ‘My Generation’ do The Who. Já durante os anos 90, o ‘não tão bom assim’ Hammerfall resgatou algumas bandas esquecidíssimas do heavy metal dos anos 80. Os suecos regravaram composições do Picture, Warlord, Heavy Load e Stormwitch.



Escrito por Kazuo Su-X às 16h08
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1 reflexão:

 

Oi, li suas palavras em todos os e-mails da semana passada. Na verdade, é tão bom ver um novo e-mail seu todos os dias. Principalmente quando você diz coisas ‘sem rodeios’. Virtualmente sou tão convincente que consigo te vislumbrar de uma maneira tão verossimil, que chega a se assustar. Você disse coisas doces que me marcaram. Tento levar na brincadeira pq fico extremamente sem graça. A vantagem da internet é que você não pode ver a minha cara querendo se esconder debaixo do teclado. Também não sei como você está me imaginando. Eu disse que o tempo e as coisas que acontecem (ou deixam de acontecer) conosco trazem marcas. Espero não ter mudado muito, a essência porém a gente sempre consegue manter. Não dá pra mudar completamente. Mas as vezes dá para ser contrastante, sublime e carnal ao mesmo tempo. Você realmente me quer seu? Os contrastes sempre houveram dentro de mim, não sei se você já percebeu. Aparentemente você me enxerga como sempre desejei, acho que fui convincente em muitas palavras já escritas para você. Alguém me disse que na distância é preciso estar presente de alguma forma. Acho que assimilei bem o conselho. E continuo imaginando-te...de maneira ousada, talvez mais bela do que você realmente seja. Isso pq algumas entrelinhas ainda não me foram reveladas. Lembra da lista do Chris Martin? E de quando ele disse ‘(...) se não houver esperança, o que mais existe?’. Na minha lista existe um ítem que diz ‘seguir o chão que você pisa’...



Escrito por Kazuo Su-X às 14h09
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Tracklist:

 

- U2 ‘The Ground Beneath Her Feet’: da trilha sonora do filme ‘O Hotel de Um Milhão de Dolares’, minha música favorita do U2 tem sua letra escrita por Salman Rushdie, a mesma que seu Orfeu canta no livro ‘O Chão que Ela Pisa’; Megadeth ‘44 Minutes’ ainda não parei para traduzir a letra dessa canção mas seu clima e suas guitarras dobradas são inspiradoras aos meus ouvidos.

 

Playlist:

 

- Megadeth ‘Endgame’: o álbum de thrash metal do ano, Dave Mustaine é o riff master do ano, destaques para ‘Bodies’ e ‘Bite The Hand’; Them Crooked Vultures ‘Them Crooked Vultures’: Josh Homme eterno ícone alternative/underground obtem finalmente seu merecido posto entre uma lenda do rock dos anos 70 (John Paul Jones) e outra lenda do rock dos anos 90 (Dave Grohl), se Homme vier a ler isso pensará que escrevi uma grande besteira mas a verdade precisa ser dita: Josh Homme, lenda do rock neste século XXI, é um dos MAIORES!

 

Curtas:

 

- A revista Cult deste mês além do destaque de capa para Antonio Gramsci e da coluna de Marcia Tiburi resgatando o primeiro filme ‘Alien’ lançado a exatos vinte anos; trás também um olhar a respeito de ‘Caim’, o novo livro de José Saramago.

 

- A revista da ESPN também já se encontra nas bancas com destaque de capa para Pelé. O staff da publicação (da editora Spring, mesma da Rolling Stone) inclui meus companheiros do site Trivela (a revista Trivela acabou). Dentre as matérias futebolisticas de destaque temos um olhar sobre a angústia Argentina (e desmedida arrogância de Don Diego, um deus decadênte) nas últimas rodadas das Eliminatórias (por Antonio Vicente Serpa). Além de uma entrevista com Luís Gonzaga Belluzzo, presidente do Palmeiras.



Escrito por Kazuo Su-X às 14h08
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1 grande lançamento!

 

Top 10 series – The best of 2009

 

Megadeth

‘Endgame’

Warner/Roadrunner

2009

 

Os três grandes do thrash metal oitentista estão vivos e bem. O Metallica soltou ‘Death Magnetic’ em 2008, Slayer e Megadeth lançaram ‘World Painted Blood’ e ‘Endgame’ respectivamente a pouco. Comparados os três o Metallica está num patamar mais alto. Há um frescor nas composições da banda de James Hetfield dados mais de dez anos de ‘exílio’ em que a banda se aventurou por outras sonoridades. O Slayer, banda da qual esperei muito, decepcionou. O som continua o mesmo mas Rick Rubin não é mais o produtor ativo que era com a banda anteriormente. ‘World Painted Blood’ carece de uma produção mais robusta. 1x0 para o Metallica pois ‘Death Magnetic’ foi produzido por Rubin.

 

Eu esperava pouco do Megadeth, hoje literalmente, ‘a banda de Dave Mustaine’ como deveria ser desde sempre. O retorno da banda em 2003 rendeu o refinado (aos meus ouvidos) ‘The System Has Failed’. ‘United Abominations’ (2006) era bom mas ao meu ver, foi superestimado demais. Ainda assim foi produzido por Andy Sneap que fez algo interessante realçando as caracteristicas thrash do Megadeth. Em time que está ganhando não se mexe e exceção de  Glenn Drover que cedeu lugar ao guitarrista Chris Broderick (Jag Panzer, ex-Nevermore). O estilo de Broderick é calcado na NWOBHM. Duelos desenfreados entre ele e Mustaine (guitarra/voz) surgem em profusão bem como os riffs infernais sempre esperados do segundo.

 

O restante da formação do atual Megadeth conta com James Lomenzo (baixo, Black Label Society) e Shawn Drover (batera). Ambos também participaram de ‘United Abominations’. Andy Sneap segue produzindo. ‘Endgame’ faz sim sombra aos velhos clássicos do Megadeth tais quais ‘Peace Sells’ e ‘Rust in Peace’. O tracklist abre com uma intro instrumental devastadora intitulada ‘Dialetic Chaos’ que emenda com a veloz ‘This Day We Fight’. Não tenha dúvidas, estamos diante de um álbum DO Megadeth! ‘This Day We Fight’ deixa emanar um furor que remete a ‘Take No Prisioners’ (do ‘Rust in Peace’).‘44 Minutes’ segue uma linha mais rock e poderia se alinhar a um estilo mais acessivel sendo associada a ‘Die Dead Enough’ (de ‘The System Has Failed’). ’44 Minutes’ trás belos duetos de guitarra, refrão marcante e um baixo monstro de Lomenzo, trata-se de uma grande canção.

 

‘1,320’ dá sequência ao tracklist num ataque em alta velocidade. ‘Bite The Hand’ alterna partes cadênciadas com partes rápidas. Trás a mente momentos do mais que clássico ‘Countdown To Extinction’. O destaque de ‘Bite The Hand’ é seu desfecho onde as guitarras de Mustaine e Broderick se fundem na mais típica comunhão britânica do metal.  A ótima ‘Bodies’ segue a linha de ‘Disconnect’ (faixa de abertura de ‘The World Needs a Hero’). ‘Bodies’ tem um refrão que lembra muito o refrão de ‘Disconnect’, apresentando ao centro da composição guitarras em dueto que se juntam a um discreto arranjo orquestral antes do solo.

 

A faixa título ‘Endgame’ precede ‘The Hardest Part To Letting Go...Sealed With a Kiss’ apresenta uma composição ousada intercalando seção acústica e velocidade somadas a belos arranjos orquestrais. Talvez seja algo que Dave Mustaine tenha começado a desenvolver com Al Pitrelli (guitarra, Savatage, Trans Siberian Orchestra) no álbum em que Pitrelli participou, ‘The World Needs a Hero’; mais precisamente na canção ‘Promises’. Completam o tracklist ‘Head Crusher’, ‘How The Story Ends’ e ‘The Right To Go Insane’.

Mustaine

 

Desde o retorno do Megadeth por volta de 2003 (Mustaine suspendeu as atividades por volta de 2001 após sofrer um acidente), a banda teria que cumprir um contrato de três discos com a gravadora, algo que se conclui com este ‘Endgame’. Dave Mustaine em entrevista a revista Roadie Crew, deu indícios de que a banda pode realmente acabar após a tour do álbum, associando essa reflexão com o título (‘Endgame’, ‘fim de jogo’). Mustaine expressa que sente os sinais do tempo, mas não nega a possibilidade de uma carreira solo. Particularmente vejo o Megadeth enquanto ‘a banda de Dave Mustaine’. Num disco solo ou não seus riffs desenfreados com certeza surgirão.

 

Kerry King e Jeff Hanneman bem que poderiam fazer uma consulta a Andy Sneap, um mestre na arte de moldar sonoridades proporcionadas por guitarras em comunhão. ‘Endgame’ está acima da média!



Escrito por Kazuo Su-X às 14h08
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1 auto-questionamento:

 

- Você já teve a necessidade de montar um projeto solo?? A banda principal toma uma proporção muito grande e alguns integrantes começam a entrar em rota de colisão...geralmente após o uso de substâncias não vendidas para menores de 18 anos. Não parece uma banda e sim um roteiro de novela mexicana.



Escrito por Kazuo Su-X às 22h49
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Playlist:

- Them Crooked Vultures ‘Them Crooked Vultures’: pára tudo…pensei que haveriam algumas decepções em torno do alarde feito em cima da banda de Dave Grohl, John Paul Jones e Josh Homme; não parece Led Zeppelin mas lembra muito em alguns momentos, não por causa de John Paul Jones mas sobretudo quando Dave Grohl resolve emular John Bonhan; trata-se de alguma coisa feita por Josh Homme sim mas não é um clone do Queens Of The Stone Age; é superior a tudo que Dave Grohl fez com Nirvana e Foo Fighters; Robert Plant é um velhinho que canta country/folk e John Paul Jones um garoto de 20 anos. Them Crooked Vultures É A BANDA DO ANO!!

 

Curtas:

 

- O álbum do Them Crooked Vultures já vazou, baixe, grave, ouça, compre o original também. É bom pra caramba e vai causar desordem em muita lista de melhores do ano de 2009.

 

- A Rolling Stone de novembro (capa Alinne Morais) vem lacrada com um protetor de ouvido de brinde (parte de uma campanha publicitária) mas vale sobretudo pela grande matéria a respeito do Them Crooked Vultures, Dave Grohl, John Paul Jones e Josh Homme são entrevistados separadamente. Grohl o ‘nice guy’ foi quem agregou os três e adquire John Paul Jones em sua coleção de parcerias (que vai de Kurt Cobain a King Diamond passando por Lemmy e Trent Reznor).

Grohl, Homme,Jones

 

Jones se mostra feliz por fazer parte de uma banda interessante de novo. Parece que espantou o tédio, pois o que se faz após ser parte da maior banda de todos os tempos? Homme, obscuro e quase um estoico revela não ter mitificado o fato de adentrar o estúdio com ‘um Led Zepellin’. Em contrapartida demonstra ‘humildade de discipulo que supera o mestre’ ao dizer que só constata que sua banda é boa quando ele Homme se descobre o pior músico do conjunto.

 

- Review completo sobre o álbum do Them Crooked Vultures na próxima atualização!

 

- A mesma Rolling Stone ressuscita uma matéria com o AC/DC quando Angus Young ainda tinha 19 anos e a banda era conhecida apenas na Austrália. Há ainda um box que anunciava o reinício do AC/DC após a morte de Bom Scott e antes de lançar o clássico Back In Black em texto resgatado da Rolling Stone Austrália. Tudo isso na seção ‘Arquivos RS’. Imperdível!           

 

- Resenha no Trivela sobre ‘Maioridade Penal’ autobiografia de Rogério Ceni, por mim mesmo! Clique aqui!

 

- A revista Cult deste mês trás Antonio Gramsci como destaque de capa mas a coluna de Marcia Tiburi está excepcional ao realizar uma leitura do primeiro ‘Alien’ lançado a exatamente vinte anos.

 

Bola e boleiros:

 

- (...)

 

- Não acompanhei nada sobre repescagens das Eliminatórias nem amistosos da data Fifa deste último fim de semana.



Escrito por Kazuo Su-X às 22h48
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1 reflexão:

 

Sabe um quebra-cabeça de três mil peças? É parecido. A imagem no entanto seria uma sépia ou um P&B. Uma fotografia do Anton Corbjin retratando algum rockstar. Não sei quanto tempo faz que falta apenas uma peça para completá-lo e é verdade que nunca deixei de pensar em você. Sem ser piegas e de alguma forma acho que você tem certeza disso. Nunca nos beijamos, mas às vezes sinto que nos amamos no sentido mais carnal que você possa imaginar, porém num plano espiritual e abstrato. Eu me entregava em cada verso e você me acolhia. Eu permitia e era você quem penetrava nas minhas mais profundas inspirações. Você sabia o significado de cada palavra. Uma nova poesia, um orgasmo. Lá no oriente, exatamente onde você deve estar agora, no fuso horário de alguma forma que eu sensualmente poderia descrever. Entre a alça da sua langerie e a sua tatoo. Como naquela crônica. Ao fim do dia, depois de todas as impressões de todos os que a leram cheguei em casa e fechei a porta do quarto. Chris, meu amigo imaginário estava ali e num português horroroso olhou para mim e disse ‘você é o cara!’. Você sabe como ele é pois você já o viu. Aqui no ocidente continuo vivendo para escrever algo que valha a pena. Alguém que valha a pena transformar em verso, havia. Desde que partiu a pequena Londres perdeu a graça. Fico a procura dos cavalos selvagens, procurando pelo chão que você pisa. Entregue e deposto, escravize-me. Seu, sempre seu e eternamente seu.  E viva la vida...

 

Na cabeceira:

 

- ‘Os filosofos e o amor’ de Aude Lancelin e Marie Lemonnier (Ed.Agir): francesas jornalistas do Le Novel Observateur enfocam a definição, personificação ou descrição do conceito de amor levados a diante por nomes clássicos do pensamento ocidental desde Sócrates e Platão passando por Rousseau, Schopenhauer e Kant entre outros. Comecei pela parte final já entre os pensadores contemporâneos onde o leitor é apresentado a solidão de Nietzsche que deveria se masturbar por Lou Salomé. Bem como à volupia existêncial ou fenomenologia da lascívia de Martin Heidegger que dentre as suas amantes mais famosas teve a sublime Hannah Arendt.

 

Curtas:

 

- Algumas pessoas se lembraram nas últimas semanas da minha crônica ‘Viva La Vida (Longe demais das capitais)’ escrita para o Trivela ainda no primeiro semestre. Foi escrita quando o Barcelona derrotou o Bayern de Munique por 4x0 durante o mata-mata da UEFA Champions League 2008/2009. E foi ao ar no site na semana da final em que o Barcelona venceu o Manchester United sagrando-se campeão.

 

- O tema é futebolístico mas a crônica era bem autobiográfica, onde figuras femininas do meu cotidiano compareciam. Além de contar com a inspiração na canção ‘Viva La Vida’ do Coldplay adotada enquanto hino extra-oficial do Barcelona.

 

- É Thamiris, acho que se eu tiver uma filha ela será sua xará mesmo!

 

- E  à srta. Rê. S., humm...você sabe, né?

 

- Leia a crônica ‘Viva La Vida’ neste link aqui!

 

- Aguardo dois livros, ‘Caim’ do José Saramago recém-lançado no Brasil (encomendado pela internet num mutirão de compra organizado por uma aluna seguidora de Saramago) e ‘O Manto’ novo romance de Marcia Tiburi (a ser enviado para este vos escreve pelas mãos da própria autora). Marcia Tiburi promove o lançamento de ‘O Manto’ segunda dia 16 em São Paulo. A exemplo do que fiz no ano passado, também postarei aqui neste blog em dezembro um ‘Top 5’ dos melhores livros que li este ano.

 

- Caim e Abel são duas figuras bíblicas com as quais mais me identifico exatamente por causa da ‘não-relação’ que mantenho com meu irmão mais novo.



Escrito por Kazuo Su-X às 16h21
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1 filme incomum:

 

‘Zatoichi’ (The Blindman Swordsman Zatoichi)

De: Takeshi Kitano

Com: Takeshi Kitano

2003

 

Mais um episódio da série ‘achados em liquidação de dvd’ na locadora mais próxima. Sou leigo no que diz respeito a cinema japonês. Vi a capa do citado ‘Zatoichi’, li a sinopse na contracapa bem como as menções de filme vencedor no Festival de Veneza e Festival de Toronto. Trata-se de filme japonês de samurai que se passa no Japão feudal. A história é curiosa e cativante apesar da produção e elenco serem absurdamente desconhecidos para mim. Ao que parece a lenda de Zatoichi um samurai cego, é algo popular no folclore japonês.

 

O Takeshi Kitano dirige e atua como Zatoichi. Trata-se de um nômade cego cuja bengala oculta uma katana (espada) embainhada. Em suas andanças Zatoichi chega a um pequeno (e bem recriado) vilarejo dos muitos que formavam o Japão feudal. É acolhido por uma camponêsa que revela a Zatoichi algo sobre seu sobrinho viciado em jogos de azar. Ao se estabelecer e familiarizar com o vilarejo, Zatoichi passa a frequêntar a mesma casa de jogos que frequenta o sobrinho de sua hospedeira. Cego, Zatoichi consegue ganhar as apostas dos jogos de dados usando apenas a audição.

 

Aos poucos Zatoichi descobre que o vilarejo é oprimido por uma gângue. Trata-se do oriente feudal anterior a constituição de um estado democrático. O pensador político inglês Thomas Hobbes diria que constituia-se ali o estado de natureza onde impera a lei do mais forte. Dessas organizações descendem a yakuza (máfia japonesa) vigente no Japão até os dias de hoje. Ao mesmo tempo que Zatoichi chega ao vilarejo, outro nômade errânte se estabelece ali oferecendo serviços de yojimbo (guarda-costas). Trata-se de Hanzo um ronin nômade em busca de trabalho para sustentar a esposa doente. Ronins eram samurais que perderam seus mestres. Hanzo é contratado pela gângue e seu caminho se cruzará com o caminho de Zatoichi.

 

Quem vê pensa que entendo pra caramba de cultura nipônica, o que não é verdade. No entanto tive ao alcance dos olhos um bom motivo para começar a procurar filmes classicos estrelados por Toshio Mifune ou dirigidos por Akira Kurosawa. ‘Zatoichi’ é um achado fabuloso. A direção de fotografia é belíssima e a sensibilidade oriental se destaca pela leveza diferenciando-se drasticamente do cinema ocidental. Temos belas cenas como a sequência em que os irmãos Naruto (nada a ver com o mangá idiota) recordam a infância. Seus pais foram assassinados pela gângue que almejava a fortuna obtida com uma fazenda que produzia arroz. O pequeno e a pequena Naruto crescem unidos onde o menino se prostitui, abrindo mão da própria masculinidade em nome da honra da irmã. Ao crescerem prestam serviços a homens ricos como gueixas, numa trilha de vingança em que cada homem servido é morto, um a um, até que os assassinos de seus pais sejam vingados.

 

Dificílimo de encontrar por aí mas ‘Zatoichi’ é algo próximo do imperdível. Vale uma conferida!



Escrito por Kazuo Su-X às 16h19
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Playlist:

 

- Megadeth ‘Endgame’: não esperava muito do novo álbum da banda de Dave Mustaine que ao meu ver superou ‘World Painted Blood’ do Slayer, ‘44 Minutes’ já é uma das minhas canções favoritas escritas por Mr. Megadave, a intro ‘Dialetic Chaos’ apresenta um instrumental infernal digno dos tempos de ‘Peace Sells’ e os belos arranjos da surpreendente ‘The Hardest Part do Letting Go...Sealed With a Kiss’ também me cativaram!

 

Melhores de 2009:

 

- Com certa expectativa aguardei ‘World Painted Blood’ do Slayer, muito bom mas que deixou a desejar no quesito produção. O Slayer continua intacto mas já afirmei aqui anteriormente que a sonoridade proporcionada em estúdio pelo Slayer, sem Rick Rubin deixa a desejar. Mais uma vez repito o que disse naquela ocasião: ninguém em sã consciência questiona o poder de fogo do Slayer ao vivo.

 

Comentarei ‘World Painted Blood’ em muito breve mas o Slayer perdeu seu posto na minha lista de 10 melhores de 2009 exatamente para o ‘Endgame’ do Megadeth. A banda de Dave Mustaine (foto) lançou um álbum fantástico e está a altura do ‘Death Magnetic’ que o Metallica (com Rick Rubin) lançou no ano passado. Dentre os outrora três grandes do thrash metal, em estúdio, o Slayer está devendo. Eu esperava bem menos do Megadeth do que do Slayer. O último trabalho do Megadeth ‘United Abominations’ (de 2007) foi bom mas manteve-se na média. Particularmente vi ‘The System Has Failed’ (2003) enquanto um álbum bem superior.

 

Mustaine em entrevista para a última Roadie Crew dá indicios de um possivel fim de carreira. O titulo (‘Endgame’ ou fim de jogo traduzindo literalmente) seria uma referência ao fim deste ciclo do Megadeth (que incluí dos três últimos álbuns contando com este último). Mustaine diz que seu contrato com a Roadrunner está cumprido com ‘Endgame’ e, ainda diz que tem um certo repúdio por rockstars que se arrastam no palco e precisam de uma bengala para andar ao descer dele.

 

O britânico Andy Sneap que pela segunda vez produziu um álbum do Megadeth, poderia com certeza, realçar a sonoridade do Slayer em estúdio! Review sobre ‘Endgame’ do Megadeth em breve também!



Escrito por Kazuo Su-X às 16h17
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Playlist:

- Type O Negative ‘October Rust’: atmosférico, depressivo e muita influência do Pink Floyd nos teclados de Kenny Silver (fã declarado da banda de David Gilmour) no trabalho lançado pelos novaiorquinos em 1996; Dream Theater ‘Falling Into Infinity’: outra banda novaiorquina no álbum que incluí as baladas ‘Hollow Years’ e ‘Take Away My Pain’, trabalho lançado em 1995 ainda com o tecladista Derek Sherinian, o Dream Theater lançou ‘Black Clouds and Silver Linings’ em 2009, já comentado aqui e com certeza estará presente na lista de melhores de 2009 do Evil FC.

 

Curtas (sobre o que há nas bancas de revista):

 

- Na capa da Rolling Stone de novembro Alinne Morais que na novela das 8 sofreu um acidente e ficou tetraplégica. Ela deveria fazer um papel de velha decadente e acabada, sem depender de seus atributos físicos para aí sim, podermos analisar seu talento! A seção Arquivos RS se não me falhe a vista miope resgatará uma matéria com o AC/DC que desembarca no Brasil no fim deste mês!

 

- Aparentemente continuo sendo o único que quer ver Fernanda Young na Playboy...

 

- Ainda sobre a Billboard Brasil número 1 (capa Roberto Carlos), pela primeira vez li uma entrevista com Quentin Tarantino exatamente do jeito que eu queria que ele fosse entrevistado. Ou seja a partir da perspectiva musical dos seus filmes, nesta ocasião, sobre ‘Bastardos Inglórios’ seu trabalho mais recente.

 

- A Roadie Crew desse mês trás como destaque de capa o Megadeth que acaba de lançar ‘Endgame’. O álbum é bom e seu conteúdo está praticamente na íntegra para streaming no Myspace da banda (clique aqui!). Há ainda como destaques da publicação uma entrevista com Fernando Ribeiro do Moonspell (que toca em SP semana que vem) e um comentário sobre o documentário ‘O Ruído das Minas’ de Filipe Sartoreto (já comentado aqui no Evil FC). De brinde um pelo poster com a arte da capa do clássico álbum ‘Crusader’ do Saxon!



Escrito por Kazuo Su-X às 21h55
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Curtas (musicais)

 

- Os shows do VMB 2009 da MTV Brasil estão sendo transformados em clipes e exibidos durante a programação normal. O Massacration fez um show fantástico parodiando cada detalhe de cada banda clássica do heavy metal de uma maneira (e tiradas) que só mentes brasileiras poderiam engendrar. O vocalista Detonator usa um collant ridículo de zebrinha deixando o peito cabeludo de fora a lá Paul Stanley (Kiss). Outro adepto do estilo zebrinha é o vocalista do alemão Edguy, Tobias Sammett que popularizou um casaco de zebrinha (as vezes revezado com a calça de vaca malhada).

 

O palco resgata os temas egípcios da fase clássica de ‘Powerslave’ do Iron Maiden com direito a dançarinas egipcias e um sarcófago de múmia de onde sai ninguém menos do que o cantor brega Falcão para um dueto com Detonator. A bizarrice visual das bandas de metal dos anos 80 é igualmente proporcional àquela preconizada pela estética (ou anti-estética) do brega, logo, ninguém melhor que Falcão para surgir no palco junto ao Massacration! Não tem Eddie mas tem Joselito vestido de mumia gorda.

 

Para além das palhaçadas (ofensivas aos olhos e ouvidos dos headbangers ditos ‘sérios’) o instrumental do Massacration segue poderoso e pesado de verdade. Aliás musicalmente o Massacration deixa para trás muita bandinha alemã iniciante de power metal, além de se apresentar como a melhor coisa que o rock brasileiro inventou desde os debochados Raimundos! Blondie Hammett é um pseudonome mas seus riffs SÃO DE VERDADE!!!

 

- Veja o Massacration nesse link aqui!

 

- No começo dessa semana Joe ‘Aerosmith’ Perry declarou que Steve ‘Aerosmith’ Tyler teria saído do Aerosmith às vésperas da banda gravar um novo álbum de estúdio. Sei lá quantos anos de estrada tem o Aerosmith, menos que os Rolling Stones com certeza, mas para muita gente (inclusive para mim) o Aerosmith foi o primeiro ou um dos primeiros contatos com o rock ‘n roll. A banda surgiu no fim dos anos 70 e foi tachada pela imprensa britânica como clone norte-americano dos próprios Rolling Stones.

 

Após aparecer no filme ‘Sgt. Peppers Lonely Hearts Club’ tocando ‘Come Together’ (óbviamente dos Beatles) a banda quase acabou dados os excessos com substâncias ilícitas. O Aerosmith teve tempo de compor álbuns clássicos como ‘Rocks’ ou ‘Toys in The Attic’. Nos anos 80 voltaram ancorados pelos rappers de Run DMC que fez uma nova versão para ‘Walk This Way’, cujo vídeo exautivamente veículado pela MTV contava com o próprio Aerosmith. Era a ressurreição. O Aerosmith pega carona na geração MTV emplacando vídeos clássicos como os de ‘Crazy’, entre outros, geralmente protagonizados pelas então jovens Alicia Silverstone e Liv Tyler (filha de Steve).

Tyler

 

A banda teve tempo de compor mais dois clássicos na virada dos anos 80 para os anos 90 que foram ‘Pump’ e ‘Get a Grip’. No filme ‘Quanto Mais Idiota Melhor II’, Wayne (personagem de Michael Myers) precisa organizar um novo festival nos moldes do Woodstock após um sonho ‘xamânico’ com Jim Morrison e seu índio pelado. A atração principal do Waynestock no desfecho do filme era o Aerosmith tocando ‘Shut Up and Dance’ (de ‘Get a Grip’).

 

Toda a minha geração descobriu a MTV com ‘November Rain’ dos Guns n’ Roses (que sempre se orgulharam da influência do Aerosmith) e sonhou, beijou, se apaixonou, se recuperou do primeiro ‘pé na bunda’, ou teve a ‘primeira vez’ ao som de alguma música do Aerosmith!

 

A partir da segunda metade dos anos 90, o Aerosmith foi muito manipulado por empresários e pela gravadora. ‘Nine Lives’ (1997) ainda foi um bom trabalho e num mundo povoado por Spice Girls e Backstreet Boys tornaram-se um refúgio do rock nas paradas da MTV os vídeos de ‘Full Circle’, ‘Hole My Soul’ e ‘Pink’. ‘Just Push Play’ (2001) trouxe hits sim, mas demonstrava-se bem ameno isso após a super-exposição que o Aerosmith sofreu como parte do marketing de divulgação do filme ‘Armageddom’ (que trazia Liv Tyler no elenco). Claro que a banda foi inclusa na trilha sonora e a canção ‘I Don’t Wanna Miss a Thing’ concorreu a Oscar.

 

Mais recentemente, o rapper Eminem resgatou o refrão da clássica balada ‘Dream On’ em ‘Sing For The Moment’ e o MTV Icon entre 2002/2003 homenageou o Aerosmith contando com um emocionante depoímento do Metallica que tinha James Hetfield acabando de sair da reabilitação para alcoolatras.

 

Claro que um Aerosmith ainda se faz urgente mas se Steve Tyler já estiver de saco cheio pode e deve se retirar. Ele tem o direito pelo conjunto da obra e serviços prestados ao rock! O AEROSMITH É MELHOR QUE O KISS!!!

 

- O guitarrista Joe Perry está lançando seu álbum solo ‘Have Guitar, Will Travel’

 

- E hoje já circularam notas na imprensa onde Steve Tyler desmente sua saída do Aerosmith.

 

- No último fim de semana, Duff McKagan’s Loaded foi atração na noite de domingo no festival Maquinária em SP. Como o nome diz, trata-se da banda do baixista Duff ex-Guns in Roses e Velvet Revolver. O disco de estréia ‘Sick’ está sendo lançado oficialmente no Brasil e comento-o nas próximas atualizações. Hard rock com uma indefectível pegada punk, num estilo que tem sido rotulado enquanto ‘sleaze rock’. Já não há mais definições a serem inventadas mas o trabalho é interessante, sim!



Escrito por Kazuo Su-X às 21h54
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Como dito acima, no último fim de semana houve em São Paulo o festival Maquinária que trouxe o Faith No More reunido e o Jane’s Addiction ressucitado entre outros headliners. Os headliners brasileiros de maior importância foram Sepultura e a Nação Zumbi que se apresentaram no sábado. Alardeando o ‘¼ de século’ completado pelo Sepultura comecei um resgate da ‘fase Max’ aqui no blog já há uns 2 meses. Pretendo continuar nas próximas atualizações. Segue aqui um review sobre o ‘Revolusongs’, álbum de covers que o Sepultura lançou em 2002 já com Derrick Green nos vocais. O texto já estava escrito a algum tempo!

 

1 álbum de covers:

 

Sepultura

‘Revolusongs’

SPV

2002

 

Álbuns de cover não são novidade. Se os covers não se encontram numa compilação única, as vezes eles se tornam atração principal de Ep’s ou singles. No decorrer de sua carreira o Sepultura desde a época de Max Cavalera coleciona regravações espalhadas nos mais diversos tipos e formatos de lançamentos. Dentre as mais antigas temos ‘A Hora e a Vez do Cabelo Nascer’ dos Mutantes inicialmente inclusa no álbum-tributo a Arnaldo Baptista ‘Sanguinho Novo’ e posteriormente relançada no ‘Beneath The Remains’ remaster series. ‘Orgasmatron’ do Motörhead foi bonus da edição brasileira do ‘Arise’ além de ter figurado em diversas compilações e registros ao vivo.

 

Na época do ‘Chaos A.D.’ ‘The Hunt’ do New Model Army e ‘Polícia’ dos Titãs foram regravadas bem como ‘Drug Me’ do Dead Kennedys e ‘Crucificados pelo Sistema’ do Ratos de Porão, as duas últimas compiladas no EP ‘Refuse/Resist’. Na época do ‘Roots’ tivemos ‘Symptom Of The Universe’ do Black Sabbath inclusa como bonus do próprio ‘Roots’ e no primeiro ‘Navity in Black – Tribute to Black Sabbath’. Bem como ‘Procreation of The Wicked’ do Celtic Frost. ‘War’ do Bob Marley remete ao mesmo período de ‘Roots’ mas saiu na compilação de lados b, ‘B-Sides’.

 

Já com Derrick Green nos vocais, o Sepultura regravou ‘Don’t Bother Me/Gene Machine’ do Bad Brains inclusas como faixa bonus do ‘Against’(1998) e também no tributo ao Bad Brains lançado pela gravadora Century Media. Em ‘Nation’ (2001) tivemos enquanto bonus ‘Rise Above’ do Black Flag e ‘Bela Lugosi is Dead’ do Bauhaus. Um pouquinho antes do lançamento de ‘Roorback’ tivemos a compilação aqui relatada, ‘Revolusongs’.

 

A edição nacional saiu em cd e Lp pela FNM records. A edição que tenho em mãos é um digipack alemão lançado pela SPV. Na realidade este ‘Revolusongs’ que tenho comigo foi encartado enquanto cd bonus do ‘Roorback’ na Alemanha. Trata-se de um ítem raro, e como disse aqui no blog anteriormente, essa edição que tenho em mãos foi comprada num sebo e está autografada na capa e no encarte pelo guitarrista Andreas Kisser. Como foi comprado num sebo em Londrina/PR, creio que o autografo tenha sido coletado num workshop realizado pelo próprio Andreas em Londrina por volta de 2006.

 

Gravado inteiramente no Brasil, o tracklist de ‘Revolusongs’ abre com um regresso as mais primitivas influências do Sepultura. Com direito a microfonia no comecinho e no fim da canção, ‘Messiah’ do Hellhammer surge de maneira inusitada em produção refinada e limpa. Quem conhece, sabe que o Hellhammer era a primeira encarnação daquilo que se tornou o Celtic Frost. A banda foi ‘taxada’ enquanto ‘pior banda do mundo’ por diversas publicações européias e a gravação original de ‘Messiah’ no álbum ‘Apocalyptic Raids’ trás uma produção desleixada e erros de execução oriundos da inaptidão dos próprios músicos. A versão do Sepultura é correta e sobretudo, Igor Cavalera (batera) e Paulo Jr (baixo) regressam às suas raízes aqui.

 

Depois uma cover inusitada. ‘Angel’ do improvável Massive Attack se apresenta enquanto ótima recriação. O Massive Attack praticante do trip hop faz parte da safra de bandas eletrônicas surgidas no fim dos anos 90 tais quais Chemical Brothers e Prodigy. O Sepultura recria a ótima composição sem nenhum recurso eletrônico mas sim utilizando muito peso e riffs. Hoje observando Igor Cavalera como Dj profissional podemos deduzir que a sugestão da regravação possivelmente tenha vindo dele. Na sequência ‘Black Steel in The Hour of Chaos’dos rappers do Public Enemy trás participação especial do Dj Zé Gonzales. Apesar de ‘mal vista’ por muitos bangers, a mistura rap/metal não sôa deslocada uma vez que Derrick Green (voz) vem de Nova York. A composição é do mesmo Public Enemy que criou ‘Bring The Noise’ com os thrashers novaiorquinos do Anthrax.

 

‘Mongoloid’ do pós punk Devo denuncia uma levada bem hardcore e ‘Mountain’s Gold’ do Jane’s Addiction revela um feeling rocker que poucas vezes o Sepultura deixou evidenciar. ‘Bullet The Blue Sky’ ganhou vídeo filmado em São Paulo e tornou-se muito popular. Trata-se da regravação de uma das mais famosas faixas do clássico álbum do U2, ‘The Joshua Tree’. É possivelmente uma das canções mais agressivas do U2, caracteristica essa ressaltada pela agressividade natural do Sepultura. Reza a lenda que o próprio Bono Vox teria elogiado-a. O desfecho vem com uma versão monumental de ‘Piranha’ do Exodus em homenagem ao seu vocalista original Paul Balloff, falecido naquele período. A versão é fidelíssima sobretudo nos riffs (monstruosos) e solos perfeitamente executados por Andreas Kisser. A versão nacional ainda trás um medley ‘Fight Fire With Fire/Enter Sandman’ em homenagem ao Metallica.

 

Quem detém todo o catálogo da ‘fase Max’ do Sepultura é a gravadora Roadrunner. Tendo em vista tantos covers já gravados pela banda, ‘Revolusongs’ bem que mereceria ser uma compilação mais longa no estilo do ‘Garage Inc’ do Metallica. Ali covers recém gravadas se alinhavam com todas as covers gravadas anteriormente pelo Metallica num cd duplo. ‘Revolusongs’ é um souvenir interessante, sobretudo se você o tiver em algum formato fora do usual (Lp, edição importada).



Escrito por Kazuo Su-X às 21h52
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Bola e boleiros:

 

- Nota estranhíssima relacionada a Bundesliga alemã começou a ser veículada na noite de terça feira. O goleiro Robert Enke do Hannover 96 atirou-se a frente de um trem, cometendo suicídio. Enke (ex-Barcelona e Benfica) vinha sendo titular do nationaleff desde a aposentadoria de Jens Lehmann. Segundo consta Enke vinha passando por problemas pessoais (problemas da saúde e falecimento de uma filha). O amistoso desta data Fifa entre Alemanha e Chile pode inclusive ser cancelado.

 

- Penso num bando de cartolas, árbitros e jogadores mercenários mundialmente conhecidos que poderiam cometer o mesmo ato...

 



Escrito por Kazuo Su-X às 21h51
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